A capa do meu disco está pronta e será K7!

Como venho divulgando, dia 25 de fevereiro, finalmente lançarei o meu disco de músicas autorais e essa, é a capa!

capa final

O envelhecido é para disfarçar a precariedade ao qual o material será distribuído, “fita k7.” Sim… a capa foi feita nas medidas de uma fita cassete e aqui, está adaptada para o formato digital onde pouca coisa muda.

O Delírios Musicais não será lançado em CD. Além da distribuição digital, lançarei de forma independente em fita K-7, poucas mais valiosas. Quem adquiri-la poderá também baixar o álbum através de um QR-code que vai estar no verso da capa, é uma opção. Mas já adianto, trará algumas surpresas, entre elas, uma música extra que não será divulgada no álbum digital.

Mas porque uma fita Cassete?

Se eu te vendesse ou entregasse um CD, você provavelmente jogaria fora na primeira oportunidade ou guardaria em um lugar que quando o achasse, já estaria mofado. O que eu queria fazer era um vinil, claro, grande e cheiroso, mas é muito caro, aliás, a fita k7 é mais cara que um CD para fabricar, a diferença é que…

Se fosse “eu” que recebesse uma fita cassete com o novo trabalho de um artista, eu pensaria:

– Caralhooooo, uma fita K-7… que FODA!

E mesmo se eu não tivesse onde ouvir a porra da fita, eu a guardaria em um lugar especial, tipo, no meu estúdio ou na estante ao lado de outras bugigangas que eu costo. Ou seja, pra mim, a fita é um extra, é saudosista, me leva de volta para tempos de aprendizado e descobertas musicais. O chiado? Pouco importava e hoje, é só uma opção, se não gosta do chiado, ouça no límpido arquivo digital.

Eu mesmo vou confeccionar de forma artesanal, adquiri 100 fitas (usadas), vou tentar recupera-las, gravar uma por uma, vou mandar imprimir a capa e o adesivo que vai na fita, lembra? Lado A e Lado B… eheheh… que beleza!

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A Carta

No dia 25 de fevereiro de 2017, eu estava lançando a prévia da “A Carta”, primeira música do projeto “Delírios Musicais”, Era um projeto ambicioso e pessoal, então, tracei as metas para conseguir compor e arranjar 16 músicas, sob uma única regra básica – eu faria tudo sozinho.

a carta

Arregacei as mangas e influenciado pelo momento delicado que vinha passando após a cirurgia que retirou um tumor maligno do meu corpo, escrevia letras que pareceiam brotar em minha mente. Ao invés de 16, compus mais de 20, mas segui a meta e fiz a pré-produção de apenas 16, e mesmo não finalizadas, fiz questão de divulgar uma a uma, principalmente para sentir a reação das pessoas. Muitos foram sinceros e criticaram minha falta de habilidade em cantar, outros me encorajaram para que seguisse em frente.

Enfim finalizadas, enviei as prés para alguns amigos e pedi que me ajudassem elegendo as 10 melhores que entrariam no projeto final. “A Carta” foi a mais votada e por ser a primeira, me fez acreditar que essa era realmente uma boa canção.

A letra fala sobre minha pessoa, claro, todo álbum fala, mas eu estou disfarçado em um personagem no qual sinto grande empatia. Um paraibano que veio para Novo Horizonte suprir a demanda de cortadores de cana e por ser um pouco mais astuto que seus conterrâneos, logo, fixou residencia por aqui e trocou os campos por uma vida autônoma recheada de trambiques e boêmia. Para coroar, apaixonou-se por uma jovem rica com a qual conseguiu casar-se, apesar da tradicional família da jovem o detestar.

A canção começa com o algoz tentando escrever uma carta de desculpas, ele havia feito algo muito grave durante uma festa e isso fica subtendido para compreensão alheia, eu tenho uma ideia do que ele fez, mas poderia ter sido muito pior.

Quando estava escrevendo essa música, eu havia parado de fumar após mais de 20 de hábito, era minha primeira semana sem cigarro, nem preciso falar que perdi a capacidade momentânea de concentração. A vontade era tanta, que me fazia mastigar os beiços.

Por fim, a carta é revelada – Ele (eu), havia partido, voltado para o norte e a carta era para sua amada. Ela trazia promessas de retorno e recados aos credores, em especial para aqueles que ele detestava.

O refrão dessa música é baseado na obra de Noel Rosa, “Último Desejo” ao qual cito na letra.

A Carta finalmente acabou de ser escrita, o que vem pela frente ainda é um árduo processo de masterização, cujo o objetivo é tentar deixar todas as faixas sem o aspecto de produção caseiro, o que realmente é. Mas entre todos os desafios do projeto, um deles, era provar que com empenho e dedicação é possível criar uma obra apreciável, mesmo para os mais exigentes ouvidos.

O lançamento virtual já tem data, dia 25 de fevereiro, o mesmo dia que nasceu “A Carta” e o Gilson de Lazari.

Enquanto isso, contemplem a obra de Noel Rosa, com essa sensível cena que encerra o filme “Noel, o poeta da vida” de 2006, Wilson das Neves canta “Último Desejo” uma das minhas influencias para A Carta.

1978

“John Lennon/Plastic Ono Band,” de 1970, é o álbum de estreia de John Lennon após a separação oficial dos The Beatles.  Nesse disco, tem uma música chamada “Mother” ela é (na minha opinião) a música mais triste do mundo.

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Mas sabe o que deixa essa canção ainda mais triste? – John, que foi criado pela tia e tinha um pai ausente e uma mãe desajustada, fez a mesma coisa com seu filho, Julian Lennon.
 
A tia mimi fez o que pode e criou John, mas eu acho que pessoas que cresceram na presença dos pais, jamais conseguiram imaginar os prejuízos que uma separação pode causar.
 
John Lennon, de forma magistral, ainda conseguiu transmitir um pouco dessa dor em “Mother.”
 
Meus pais também se separam quanto eu tinha 12 anos e eu perdi meu apoio emocional, até hoje tento juntar os pedaços da minha cabeça que foi despedaçada como um lustre que cai no meio da sala.
 
Anos depois, já pai, quando descobri o câncer, fiz um regresso e percebi que o que eu sou hoje, é apenas reflexo do que eu fui e do que vivi. Certas dores, doem, apenas porque não foram curadas.
 
Então, sem ambição de ser tão bom quanto John, recriei um diálogo com meus país, onde fazia perguntas que eu sei que jamais serão respondidas, mas que deveriam ser feitas. Essa canção se chama 1978 e estaria no álbum “Os Delírios Musicais,” mas quase desisti dela, não conseguia cantar, quando chegava no fim, eu começava chorar. Doía e ainda dói, precisei tomar uns goles para sair daquela realidade e então poder finaliza-la.
 
Ao imaginar que alguém vai ouvi-la, já me sinto nu, pois sou fraco. John Lennon era fraco, mas a fraqueza também pode ser poética.
 
Por enquanto, fiquem com Mother de John Lennon, os Delírios segue firme e a previsão de lançamento virtual é para o dia 25 de fevereiro, que foi o dia que eu nasci.

Eu sei que dói ouvir a verdade

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Quantos anos você tem?

Já namorou?

É casado(a)?

Já teve brigas conjugais?

Já pediu um tempo?

Já deu a segunda chance, a terceira, quarta, quinta… é, eu sei como é, ouvi dizer que relacionamentos erráticos influenciaram muitos artistas e tenho uma duvida – A arte supera a tristeza ou a tristeza inspira a arte?

Difícil responder, acho que é pessoal, mas experiências amorosas intensas são catalizadoras e é fácil expeli-las, basta escrever um poema, afinal, o tema é muito popular e provavelmente alguém vai acabar se identificando, o difícil é fazer algo memorável.

No projeto delirante que venho trabalhando desde setembro de 2016, carrego essa preocupação, ser “memorável”. Desde que remasterizei e relancei o disco do cantor e compositor Léo Karan, passei a entender melhor esse conceito .

Abrãozinho, como ele era conhecido aqui em Novo Horizonte, demorou décadas pra ter sua obra prima, o disco Urbana de 1976, reconhecida. Ele abandonou a carreira artística e de volta à NH, foi funcionário publico e morreu em 1997, mas sua obra será sempre memorável.

As minhas ultimas publicações nesse blog, em comum, são feitas logo que finalizo uma canção e em “Dizer a Verdade” (a da vez) também mergulhei de cabeça no tema amoroso.

Apesar das referências, não falo especificamente sobre o meu relacionamento com a Cris, essa foi uma das primeiras músicas do projeto delirante, talvez a primeira, lembro que escrevi um trecho usando palavras aleatórias, achei muito meloso e abandonei. Depois de um bom tempo, curiosamente ainda lembrava daquela melodia e resolvi evoluí-la. Então, percebi que aquelas palavras aleatórias faziam muito sentido:

“Eu sei que dói ouvir a verdade, eu não tenho outra explicação e pouco me comove a sua versão, eu sei que dói dizer a verdade, você sempre teve explicação, hoje não, assuma não estar mais segura de si, o que fez não tem perdão!”.

Piegas eu sei, mas nem tanto, pois quando mostrei pra Cris percebemos que invertendo o sexo dos personagens, combinava comigo, que ficava fora nas madrugadas e por vezes deixei ela preocupa, sem dormir, como diz a letra.

Na primeira fase do projeto, quando eu publiquei todas as 16 músicas que foram pré-produzidas, “Dizer a Verdade” foi uma das mais elogiadas e detalhe, por pessoas que não eram do meio artístico. Aquilo me deixou intrigado, eu estava decido a excluí-la, pois tanto sua melodia, quanto a letra, são POP (demais).

Hoje, mais maduro e evoluído musicalmente, assumo, ser POP não é problema, pelo contrário, tanto que ser POP foi o que me fez escolhe-la e incluí-la no projeto final e tranquilamente aviso, vai ter música falando de amor e coração partido SIM… oras!

 

 

Você não vale nada

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Vamos ser francos… Um cara como eu, criado sob leis do patriarcado, vendo o desdém diário ao qual mulheres eram tratadas, só podia ter me tornado um baita “machista escroto”, não? 
 
Pois é, até fui, mas não sou mais. Na verdade eu era machista sem saber que era. Difícil explicar, sou de uma cidade onde até as *mulheres são machistas! Um paradoxo, digno de TCC em curso de psicologia.
 
Nos anos 90 e 2.000, muitos paraibanos vieram trabalhar como cortadores de cana em NH, eles ficavam apenas durante a safra e ao fim, voltavam para suas cidades. Nessas idas e vindas, muitos ficaram por aqui definitivamente. Para resumir o enredo, os paraibanos também eram machista “pá caraio”, nos botecos, era comum encontra-los contando suas angustias que ficavam melhores ainda depois de uns tragos.
 
Alguns, incrivelmente, sustentavam duas famílias na Paraíba, uma em NH, e ainda ostentavam uns rolinhos… os caras eram “porreta”, mas tanto envolvimento emocional, vira e mexe, dava rolo de verdade. 
 
Sob essa ótica, eu escrevi duas canções, “Você não vale nada” acabei de finalizar. “Você não vale nada, mas eu gosto de você”, era a letra de um dos forrós mais tocados nos botecos da Paraíba, virou tema de novela e conquistou o mundo. Admito, ela também me influenciou, mas a principal influência dessa canção, além dos paraíbas, foi meu paí, ele era terrível, qualquer briguinha já era motivo pra jogar na cara da minha mãe que não devia ter se casado com ela e sim feito um contrato. O tal contrato era comum em novas uniões “instáveis” dos anos 70, pois servia como garantia de que a separação do casal não envolveria bens materiais, geralmente do homem.
 
De tanto ouvir esse lamento do meu pai, tornou-se algo normal pra mim e um dia tive a infelicidade de apresentar essa ideia, como uma possibilidade de união para a minha namorada, hoje esposa. Cris, ela ficou tão ofendida que até hoje me lembra disso. Então, descobri que eu era machista e não sabia. Onde já se viu casar-se em contrato? Quer dizer que se não der certo você devolve? Rompe o contrato? Reclama no PROCON? 
 
A música é narrada pelo ponto de vista do machista, do paraíba bêbado, que indignado, tenta desfazer o relacionamento, mas não quer sair no prejuízo, afinal, a imperfeição da sua parceira era apenas querer sua exclusividade.  
 
Dizem que filho não segura casamento, mas interesses  financeiros, sim! E levam os relacionamentos ao convívio forçado onde muitas vezes o desgaste pode acabar de forma trágica.
 
“Louco, só um pouco
De cachaça de paixão
De amor ou sedução
De desgraça com facada
Marmelada traição”
 
Essa canção me diverte, é leve, porém nem tanto. 

 

 

 

 

 

 

 

A sensação do dever cumprido é mais leve e agradável que a do banho tomado após um dia duro de trabalho.

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Como jornalista debutante, publiquei 52 matérias no Jornal A Tribuna, como roteirista escrevi 24 episódios do Clube da Música Autoral, como locutor, foram 54 podcasts narrados, como escritor, rascunhei meu primeiro livro, como técnico de som, fiz mais de 100 eventos, como compositor, escrevi e arranjei 20 músicas, como produtor musical, estou prestes a concluir os Delírios Musicais e como cozinheiro, preparei os rangos diários da família de Lazari que jantou junto todos os santos dias de 2018.
 
Por isso e outros, é que estufo o peito para respirar fundo e acalmar meu coração, preparando essa velha carcaça para os novos desafio de 2019.
 
Já dizia o Zé: Quando a gente chega na encruzilhada, olha pra um lado é nada, olha pro outro… é nada também.
Quando tudo está perdido na vida, só quando tudo está perdido na vida. É que a gente descobre que na vida, nunca nada esta perdido meu irmão.

É Difícil Falar

a772837ac1a6a7635b73e6c267542ad8Gravar musicas autorais é algo que eu sempre fiz, desde a adolescência, até recentemente quando eu morava em São Paulo. Tenho um caderno de letras abstratas que renderam e ainda podem render muitas músicas.

O projeto dos delírios musicais era pra ser mais um desses, “abstratos” projetos autorais, eu havia acabado de montar meu home-studio e procurava desafios, mas a bomba caiu na minha cabeça… eu estava com câncer. No inicio, de boa, pode ser benigno, vou ser otimistas, esse lance de “vitimismo” não cola comigo, dizia eu, com as mãos molhadas de suor.

Nesse meio tempo, fui fazer um show em Urupês, no MPBEER, lá, descobri que o câncer da mãe de um dos integrantes da banda havia piorado e a família havia tomado uma decisão difícil, tirar ela do hospital e a trazer para casa.

Eu fiquei sem chão e inevitavelmente me imaginei nessa situação. Resolvi dar um conselho sincero ao filho e pra isso, me coloquei no lugar dela dizendo o que eu gostaria de ouvir de um filho naquela situação:

“Explica pra ela tudo o que você é, o que se tornou, explica quais são seus valores e suas metas, diz o quanto ela é importante pra você, ela precisa saber disso”.

Ambos choramos, cada um com seu pesar e ele me disse que era difícil falar, pois o câncer já havia chegado ao cérebro e suas respostas e reações eram erráticas, eu insisti e ele concordou em falar.

Poucas semanas depois nos encontramos no velório e eu perguntei se ele havia conseguido falar, ele confirmou e eu chorei, mas ele estava conformado, a ida da mãe para casa, foi um longo funeral interno. Eu chorava por outro motivo, meu câncer era maligno e eu precisava operar com urgência.

Nessa época escrevi essa canção, ela fala sobre a opção em ficar calado e recluso absorvendo dores e angustias, enquanto desprezamos os mimos de quem nos ama, simplesmente para evitar dizer o que não não precisa ser dito, mas precisa ser ouvido.

Posso parecer durão, mas agora mesmo estou chorando. Hoje, valorizo essas lagrimas, afinal, minha história com o tumor teve um final feliz, mas a lição que ficou me moldou, o meu dialogo com a morte foi revelador. Nunca consegui falar o que senti, nem mesmo na canção, mas ficaram pistas, sei que nem todos vão notar, afinal, é difícil falar.

 

O POH é o que sobrou de mim, só o resto…

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Os delírios podem ser musicais, mas as letras são reais.
 
Quando decidi sair de Novo Horizonte, eu ainda era um menino e fui influenciado por um amigo que morava em São Paulo mas passava as férias aqui, na casa da vó que era minha vizinha. Ele me nutria com novidades que não se encontrava por aqui, alias, até hoje ele me nutre, pois é daqueles amigos pra vida toda, sabe?
 
Aos 23 anos eu cumpri meu juramento e realmente fui embora, mas essa música não fala da minha ida e sim da minha volta. “O Poh”, é o que sobrou de mim após eu ter sido despedaçado inúmeras vezes… o poh é o meu pior e pode ser encontrado em migalhas que levam a um caminho que não me orgulho em te-lo traçado.
 
Em comum, quase todos nós traçamos caminhos tortos e temos algo escondido debaixo do tapete. A diferença é que eu não quero mais esconder nada, foda-se, podem falar e pensar o que quiserem de mim, FODA-SE!
 
Dizer essa palavra mágica de forma catedrática entre cusparadas acidentais, vale mais que uma sessão de descarrego.
 
Digo foda-se pra essa tara em conhecer a vida um do outro, existem apenas duas certezas em NH: uma é a morte, a outra é que sempre alguém saberá mais da sua própria vida do que você próprio. Enfrentar isso é perda de tempo, nem é uma exclusividade, toda cidade pequena é assim, mas na musica eu falo exclusivamente de NH, em especial daqueles quem tentam esconder o pó.
 
Uma alusão à cocaína? Talvez, mas a letra tem endereço, ela foi escrita em uma época onde eu fiquei mais ativo em relação a política municipal, passando a fiscalizar e denunciar as falcatruas do prefeito que em cumplicidade com uma administração podre, seguem deitados em cima da montanha de merda que eles mesmos produziram.
 
Sou o pó do político bem aparentado, aquele que esconde atrás de sua cama, sujeiras, que lhe tiram o sono, pois ele não pode limpa-las, isso o entregaria. Esse pó, é o resto daquela sujeira, sou eu, ou o que sobrou de mim. Esse pó, não pode ser jogado fora, pois não sou um politico de ofício, não tenho teto de vidro, ou seja, não pode ser levado ao lixo, o lixeiro não passa aos domingos.
 
Na segunda parte da letra eu falo sobre as mentiras que o tal político deixa escapar sem nem abrir a boca e sobre seu medo em encarar a verdade, sempre fugindo de debates. Mas a letra foi escrita bem antes do Jair Bolsonaro ficar eternizado como o único candidato a fugir dos debates em segundo turno, a letra é de 2016, mas acredito que acabará, inevitavelmente, relacionada ao candidato fujão.
 
O Poh fala sobre política e regresso, não nessa ordem, mas também fala muito sobre a minha frustração em voltar para NH e a preocupação em ser útil.
 
A fase final segue, hoje O Poh foi finalizado, agora faltam apenas 5 musicas.

Tem uma música que é problemática e é a minha última canção.

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Não é minha última canção realmente, apenas se chama “Minha Última Canção”, isso porque foi composta na fase em que descobri o câncer e achei que ia morrer.
Na letra, estou a negociar com alguém, talvez a própria morte, e peço que antes de partir me permita tomar minha última dose, dar meu último trago e acabar de compor minha última canção.
Ela tem uma referência low-fi, uso o mellotron, um instrumento que ficou eternizado na canção dos Beatles, Strawberry Fields Forever.
A mix segue a mesma linha dos Beatles, mas minha versão é é noise e um tanto quanto indefinida melodicamente. Quando a compus, essa indefinição na melodia da voz não me incomodava, agora, me tira o sono. Não consigo me convencer com o vocal, afinal, cantar é o meu maior desafio nesse projeto.
Hoje consegui encontrar um meio termo, não estou satisfeito, longe disso, mas seguirei em frente para finalizar o projeto, fico triste, pois gosto muito da canção, sei que um grande cantor daria vida a ela, mas a minha última canção fala sobre morte e vai finalizar o álbum, ela realmente é a última canção.

Meu canto “Torto” um dia cortará a carne de vocês

Musico Belchior em 1977.  FOTO DIVULGAÇÃO.

Acordei com essa música na cabeça, “À Palo Seco” e pensei, qual será o significado desse título?
 
Não hoje, nem no lançamento, mas talvez quando eu não estiver mais aqui, alguém poderá encontrar meu projeto musical e ao ouvi-lo, sentir-se “cortado” com as musicas.
 
Os delírios musicais poderia ser um livro com histórias angustiantes de um personagem em conflito, seria “Os Delírios Literários”. Poderia ser a vernissage de pinturas sublimares e claustrofóbicas, “Os Delírios Sob Tela”. Poderia ser uma série de grafites no alto dos prédios, sendo executados sob risco de queda; “Os Delírios Grafitados”, enfim, independente do expoente de arte, uma coisa é certa pra mim, lhe cortaria a carne, não hoje, nem amanhã… um dia.
 
Não há nada que incomode mais que um canto torto, o meu canto é tortíssimo e não é apenas o canto de cantar, é o canto de lugar, o canto torto sem uma boa forma… Novo Horizonte é um canto torto, a própria America latina também é um canto torto para o resto do mundo.
 
“À Palo Seco” é uma expressão em espanhol, que poderia ser traduzido como Matando a cobra e mostrando o pau ou el palo!
 
O cante à palo seco é um cante desarmado: só a lâmina da voz sem a arma do braço; “eu quero é que esse canto torto, feito faca, corte a carne de vocês.”
 
Ouça Belchior e tente não se imaginar de volta a uma moda passageira de 1973.