Tem uma música que é problemática e é a minha última canção.

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Não é minha última canção realmente, apenas se chama “Minha Última Canção”, isso porque foi composta na fase em que descobri o câncer e achei que ia morrer.
Na letra, estou a negociar com alguém, talvez a própria morte, e peço que antes de partir me permita tomar minha última dose, dar meu último trago e acabar de compor minha última canção.
Ela tem uma referência low-fi, uso o mellotron, um instrumento que ficou eternizado na canção dos Beatles, Strawberry Fields Forever.
A mix segue a mesma linha dos Beatles, mas minha versão é é noise e um tanto quanto indefinida melodicamente. Quando a compus, essa indefinição na melodia da voz não me incomodava, agora, me tira o sono. Não consigo me convencer com o vocal, afinal, cantar é o meu maior desafio nesse projeto.
Hoje consegui encontrar um meio termo, não estou satisfeito, longe disso, mas seguirei em frente para finalizar o projeto, fico triste, pois gosto muito da canção, sei que um grande cantor daria vida a ela, mas a minha última canção fala sobre morte e vai finalizar o álbum, ela realmente é a última canção.
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Meu canto “Torto” um dia cortará a carne de vocês

Musico Belchior em 1977.  FOTO DIVULGAÇÃO.

Acordei com essa música na cabeça, “À Palo Seco” e pensei, qual será o significado desse título?
 
Não hoje, nem no lançamento, mas talvez quando eu não estiver mais aqui, alguém poderá encontrar meu projeto musical e ao ouvi-lo, sentir-se “cortado” com as musicas.
 
Os delírios musicais poderia ser um livro com histórias angustiantes de um personagem em conflito, seria “Os Delírios Literários”. Poderia ser a vernissage de pinturas sublimares e claustrofóbicas, “Os Delírios Sob Tela”. Poderia ser uma série de grafites no alto dos prédios, sendo executados sob risco de queda; “Os Delírios Grafitados”, enfim, independente do expoente de arte, uma coisa é certa pra mim, lhe cortaria a carne, não hoje, nem amanhã… um dia.
 
Não há nada que incomode mais que um canto torto, o meu canto é tortíssimo e não é apenas o canto de cantar, é o canto de lugar, o canto torto sem uma boa forma… Novo Horizonte é um canto torto, a própria America latina também é um canto torto para o resto do mundo.
 
“À Palo Seco” é uma expressão em espanhol, que poderia ser traduzido como Matando a cobra e mostrando o pau ou el palo!
 
O cante à palo seco é um cante desarmado: só a lâmina da voz sem a arma do braço; “eu quero é que esse canto torto, feito faca, corte a carne de vocês.”
 
Ouça Belchior e tente não se imaginar de volta a uma moda passageira de 1973.

Quando é o fim

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Expandir nossa visão de mundo pode ter um preço caro, pois nunca mais você conseguirá regredi-la.

Tem sido o meu Carma, pois noto que, as vezes, algumas pessoas, ainda ficam incomodadas com a minha “imposição de opinião”. Mas desde a adolescência, sempre fui muito crítico e contestador, o rock piorou isso um pouco e a separação dos meus pais também pioraram mais um pouco. Demorou, mas eu consegui entender que isso não era uma piora e sim uma melhora.

Mas para provar isso a mim mesmo, (que é quem realmente importa), tive… e tenho ainda, que gladiar com pessoas que me acham exagerado, soberbo e impositor.

Uma breve história: Eu larguei tudo e fui embora para São Paulo com 23 anos, não posso dizer que eu estava sozinho, pois comigo estava um sonho que me acompanha até hoje: A Música.
Passei fome, frio, muita insegurança e muitas provações. Essa é a minha faculdade.

Um tempo depois, a Cris, minha namorada na época, também se mudou para São Paulo e juntos, geramos a continuidade das nossas vidas, Isa e Samu.

Em SP, Convivi com pessoas que me ajudaram a expandir minha visão do mundo, mas em certo momento, resolvi interromper essa jornada e voltei para as minhas origens, onde estou até hoje.

Foi a decisão certa para o momento, eu temia por meus filhos e não me arrependo de ter voltado. Mas eu sabia que em algum momento a cobrança chegaria e… chegou.

O zumbi cobrador de dividas morais, saiu da sua cova rasa para me dizer: “Olha pra esses caras, é isso que você quer ser?”

“Esses caras”, que o cobrador zumbi dizia em minha mente, eram meus velhos/novos “amigos” que não expandiram suas visões e pior, submissos à pensamentos retrógrados de uma hierarquia patriarcal… estavam me deixando inquieto.

Friamente eu respondia ao velho zumbi: Sim, de boa!

Mas ele era um cobrador maldito e não exitava em surgir nos piores momentos, naqueles que eu sentia vergonha alheia de ver um “amigo” se sujeitando a viver com uma saia justa atolando sua bunda apenas para manter um falso status.

Então, com o empoderamento das redes sociais, comecei a falar o que ninguém falava; critiquei as regras do patriarcado, as regras dos religiosos, as regras da política provinciana…

“REGRA É MINHA ROLA DE TOUCA” eu dizia em outras palavras, até que comecei a ser ironizado:

“Rede Social é coisa de gente atoa” diziam os amigos, do qual eu tentava tirar a saia justa dos seus regos.

Pois bem, o projeto dos Delírios nasceu, e foi compondo uma musica para os “amigos” novorizontinos, que consegui pagar a minha divida com o velho cobrador zumbi.

Essa musica se chama “Quando é o Fim”, hoje, aliás, as minhas críticas foram expandidas, e tenho um informativo semanal que sacode as estruturas patriarcais da nossa jovem cidade coronelista.

Como tudo tem um preço, Já não sou mais convidado para as festas e churrascos… porém, pintaram novos amigos, e esses, até respeitam e concordam comigo, o que também é muito perigoso, por isso, faço questão de continuar nutrindo algumas “amizades” de quem nunca vai concordar comigo.

Mas porque 10 músicas?

gilsonEssa foi a indagação de algumas pessoas, inclusive da Cris, minha amada esposa que insistia em afirmar que eu estava  obcecado pelo número 10.
Até gostaria de estar envolvido com alguma superstição ou um estudo de numerologia, enfim, mas a resposta é bem mais simples que isso, acontece que eu precisava de um norte, uma meta, para me organizar e seguir um plano a longo prazo, afinal, em setembro fez dois anos que estou delirando nesse projeto.
Entre rascunhos de letras, melodias iniciadas e musicas fechadas, eu tinha mais de 20, talvez 30 canciones.
Elas podem vir inteiras, assim como em um parto normal, em meio a contrações, ansiedades, dores, as vezes sangue… eeee…  nasce, já chorando de olhos arregalados, mas é raro.
Geralmente elas põe apenas um bracinho, ou uma perninha pra fora e eu tenho que delicadamente puxa-las, mas com muito cuidado para não mata-las.
Cada música é como um filho, então, imagine um berçário: Eu quis alimentar, educar e soltar ao mundo, 10 filhos, mas queria que fossem os meus 10 filhos mais fortes e adaptados, por isso, deixei que 16 disputassem as 10 vagas.
6 ficaram de fora e você provavelmente não vai ouvir, poderiam estar em um “Delírios Musicais parte 2”, certo?
Não, isso esta fora de cogitação, não voltarei a cantar, mas isso é assunto para outro dia…

Paralelamente

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“Paralelamente” é uma das músicas do projeto delirante que mais chamaram a atenção quando a publiquei na fase de pré produção.

Conto uma estória que jamais vai acontecer comigo, e a graça é exatamente essa, eu me coloco em uma situação surreal, que por acaso, é a mesma de muitos novorizontinos, afinal, somos falsos caridosos, doamos por temor. Crescemos sob regras do patriarcado onde é comum, coronéis (fazendeiros ricos) fazendo grandes doações para instituições filantrópicas, geralmente influenciados por mandamentos religiosos. download

Os bons coronéis, quase sempre acabam exaltados como exemplo de bom cidadão, bom cristão. Antigamente, eles também se envolviam com politica, ganhavam os votos dos pobres e acabavam influenciando ainda mais as comunidades. Essa não é só a história de Novo Horizonte, é a realidade da maioria das cidades brasileiras.

Mas em “paralelamente”, eu, um cara fodido, cidadão “de mal”; sonho com Jesus e mijo na cama, acordo assustado, sem entender aquela mensagem divina. Então, resolvo fazer uma doação financeira, assim como os coronéis. A letra se desenrola conforme eu visito as instituições e passo a notar que elas, na verdade não precisam da minha ajuda.

É uma canção de mais de 7 minutos, a minha “Hurricane”, arranjo simples, sem firulas, com uma crescente instrumental. Mas um amigo, compositor, ouviu e gentilmente me sugeriu que ela seria ainda melhor se tivesse um refrão, um momento decorável enfim..

Hoje acordei, caguei, como sempre faço, tomei meu café, como sempre faço e enquanto tirava o carro da garagem para levar minha esposa ao trabalho, o tal refrão veio…

“Resistir é melhor que sentir a minha incapacidade diante de quem me diz
Desistir é melhor que insistir e ver o novo escapar em mais um horizonte infeliz”

Cabeça de Bagre

Fiz uma longa pausa no projeto delirante, mas nem por isso deixei de compor. Num desses mormentos de inspiração, psicografei, tal como Chico Xavier, a letra de “Cabeça de Bagre”

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O enredo é forte, fala sobre um assunto tabu, o aborto e toda a hipocrisia por trás.
Conto a historia de uma menina, 16 anos, ela esta num bar, é fim de noite e chega um cara mais velho, ele tem um belo sorriso e uma conversa boba, está bêbado e só quer fuder, não importa quem, seu único objetivo é FUDER!
A menina esta deslocada, aceita a carona, eles transam e ele, claro, some sem deixar rastro, pois sabe que a camisinha furou.

Ela engravida, entra em depressão, pensa em abortar, pois não tem estrutura emocional para cuidar de uma criança, mas acaba sendo julgada por pessoas escrotas que sentados diante de seus PCs, dizem… “quem mandou abrir as pernas?”

A menina foge de casa, a criança nasce, ela não quer ser mãe, nega o leite, o bebê adoece e acaba abandonado no SUS, seu nome é João, mais um indigente.

Ele cresce sem conhecer os pais, sem regras, sem amor e logo na primeira oportunidade, rouba alguém… É o suficiente para João ser taxado “bandido bom”, aquele, que deveria estar morto, sim eu sei, um paradoxo.

A música está quase pronta, e sobre o tema tabu, espero que motive debates saudáveis, eu sou a favor que exista um plebiscito e que os brasileiros votem a descriminalização do aborto.

Já fiz minhas pesquisas e até publiquei uma matéria sobre isso na minha coluna semanal do Jornal A Tribuna NH, segue o link, “Precisamos Falar Sobre Aborto” mas enquanto não falamos, mães pobres e crianças como João, continuarão morrendo.

E os “Cabeça de Bagre”, que dá titulo a canção, são os hipócritas que negam a triste estatística de que todo ano morrem milhares de mulheres em clinicas abortivas clandestinas.

A morte já é uma realidade.

Delirios Musicais em fase de finalização

Declaro oficialmente retomado o projeto dos Delírios Musicais e prometo… essa bagaça vai ficar pronta antes do fim do ano!

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A ideia de compor, gravar, editar, mixar, masterizar, tudo sozinho, na base do erro e acerto, surgiu, logo que montei meu home Estúdio 100
Já o projeto delirante de fazer o disco de um homem só, só surgiu depois que eu descobri que estava com câncer e achei que ia morrer, então, escrevi algumas musicas sobre o tema, foi uma fase triste, mas operei e felizmente não morri, estou vivão e vivendo. Consegui acabar a pré produção de 16 musicas que enviei para alguns amigos, para que me ajudassem a escolher 10, mas poucas foram as unanimidade, fiquei confuso, mas já estou decidido. Inclusive, dentre as 10, terá uma inédita, logo falarei sobre…

Pois bem, nesse período de analise e escolha das 10 músicas, para fase final dos Delirios Musicais, lancei em parceria com o Rogério Silva(cocão) um podcast falando sobre histórias por trás das musicas. O projeto Clube da Música Autoral deu muito certo, mal acabei a primeira temporada e já emendei na segunda, foi uma loucura, pois ainda lancei o NH News, um podcast semanal onde narro as matérias que escrevo para o Jornal A Tribuna NH, também em parceria com o Cocão, fiel escudeiro, do qual devo várias “brejas”.

Com o fim da segunda temporada do Clube, usarei esse tempo para finalizar o já atrasado projeto dos Delírios Musicais e pra quem está chegando agora, aviso, esse é um projeto bem pessoal, coisa caseira, mesmo, artesanal… saca?
As letras, na maioria, falam de “pobremas” internos de uma mente fervilhante, mas nem tudo é “deprê”, pode até ser divertido se você conseguir esquecer que eu não sei cantar direito ehehehe.

Hoje dei uma faxinada no estúdio daquelas, montei a batera, dei um trato nos instrumentos, enfim, voltarei fazer umas lives, pedirei conselhos, pedirei instrumentos emprestados… ahahahah O de sempre, né?

Abraço do Gilsão e obrigado pela empatia.

Os Delírios Musicais

 

Gilson capaEm setembro de 2016 comecei criar um álbum de músicas inéditas onde todas as etapas seriam confeccionadas por mim, sem a participação de terceiros. Não que eu não goste de ajuda, simplesmente é um desafio ao qual eu me submeti e tenho enorme prazer em faze-lo.

Escrevi as letras, produzi as faixas, gravei todos os instrumentos e finalizei, mixando e masterizando. Foram 16 musicas, dessas, apenas 10 entraram no projeto final. Todas as duvidas, medos e certezas foram narradas na fã page dos delírios no facebook. 

Foi uma experiencia única e desafiadora.

Obrigado por participar.