O Foicebook e a Guerra da Síria

Se você gosta de respostas fáceis, apoia xenófobos ou gosta de referencias bíblicas, fuja dessa matéria! Se ainda não compreendeu o quão ruim o ser humano pode ser, cuidado, você pode estar vivendo numa bolha social.

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O Facebook recentemente mudou seus algorítimos para que pessoas se sintam mais “felizes” na rede social do Mark Zuckerberg (criador do Facebook). Nerds analistas de sistema notaram que pessoas confrontadas ideologicamente ficavam menos tempo na rede social e desenvolveram ferramentas que escondem publicações que “não curtimos”. Dessa forma, aquele “amigo” estranho com idéias esquisitas passou a aparecer menos, ou até sumiu da sua linha do tempo. Alguns perceberam, mas a maioria, como era previsto, esta mais feliz.

O que isso tem a ver com a guerra na Síria? Vamos por partes – Primeiro entenda que essa guerra se resume a um confronto milenar e na sua receita tem ingredientes inflamáveis como ditadura, fanatismos religioso e intolerância. Esses conflitos isolados na Síria foram potencializados pela impopularidade do governo Bashar al-Assad – que havia sucedido seu pai, Hafez, em 2000. Em março de 2011, adolescentes que haviam pintado mensagens revolucionárias foram presos, torturados e mortos pelo governo. Isso foi o estopim que dividiu o país e iniciou uma guerra civil.

A situação ficou realmente “feia”, quando o grupo terrorista “estado Islâmico” entrou na briga “metendo o louco” e usando as redes sociais para divulgar suas barbáries. Acuado, Bashar al-Assad, com o apoio armamentista da Russia, mandou passar fogo nos rebeldes com o velho discurso: “bandido bom é bandido morto”, isso piorou ainda mais a situação que já era ruim. Consequência – agora, além de muitos soldados e revolucionários mortos, milhares de civis inocentes também estão morrendo.

 

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Donald Trump por sua vez não revela a posição dos EUA, já mudou de lado algumas vezes, pois reconhece que a Síria é um ponto de interesse na questão Israel/Palestina/petróleo, mas também precisa honrar seus eleitores xenófobos que querem acabar com os muçulmanos nos EUA. Nessas, quem tão se dando mau são os civis sírios que se arriscam no mar mediterrâneo com embarcações precárias.

Entendam: As pessoas preferem se arriscar levando seus filhos para o mar aberto em barcos furados do que ficar no país! A coisa aqui no Brasil tá feia, mas lá na Síria tá medonha e talvez você ainda não tenha notado porque o funcionário nerd do Zuckerberg, alterou os algorítimos do seu Facebook para não te deixar “triste”.

O Brasil é um país que foi colonizado e saqueado por imigrantes, vivemos sob as regras e crenças dos nossos invasores. Durante as guerras mundiais, recebemos refugiados do mundo todo, principalmente europeus. Eu sou descendente de um Italiano que veio para o Brasil fugido da guerra. Aqui em Novo Horizonte somos muitos os netos e bisnetos de refugiados. Porém, é da natureza do ser humano ser ruim até os ossos. Negamos nossa história quando tratamos com desdém médicos cubanos, haitianos e principalmente paraibanos colhedores de cana que tentam uma vida nova. Isso talvez seja reflexo do que os brasileiros sofrem tentando o mesmo na Europa ou nos EUA. Uma corrente do mau, onde chora menos quem faz o muro maior.

A corrupção, a falta de segurança e a crise financeira, promoveram aberrações no cenário político. Trump, por exemplo, é uma delas, que através do patriotismo, palavras de ordem e promessas de conter imigrantes; deu voz à pessoas egoístas, do tipo que jogaria crianças sírias ao mar para salvar seu cachorro. Aqui no Brasil também temos um representante do radicalismo, um politico que virou “mito” e vem se beneficiando dessa bolha social. Nossa jovem democracia ainda não esta “cascuda” o suficiente para identificar essa aberração, pior, talvez seja necessário amargar essa “anti-evolução” para entendermos que o caminho certo é para frente e não pra trás. Tempos estranhos esses de segregação, algo que deveria ser revisto apenas em aulas de história. Mas a evolução é lenta e muitas vezes mortal.

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Aquele mesmo algorítimo que os nerds mudaram para não ficarmos “tristes”, também tem o objetivo de nos deixar “felizes”. Vamos imaginar que você odeia paraibanos, curte e compartilha opiniões de quem também os odeia – Consequentemente vai aparecer na sua linha do tempo mais publicações desse tipo. Logo, você vai declarar que é contra os paraibanos e que eles são a escória da sociedade novorizontina; apesar de bizarra, sua opinião terá o apoio de alguns religiosos, políticos, youtubers, e principalmente de “amigos” que pensam como você. Ou seja, deu certo o plano dos nerds, e feliz, você gastará mais tempo navegando na rede social do Zuckerberg que aqui eu chamo de “bolha”.

Se mesmo assim você não entendeu, vou desenhar – Não adianta ficar indignado com as imagens de crianças mortas na Síria se nas redes sociais você defende políticos que acusam refugiados de serem a escória da humanidade(…)

(Publicado no Jornal A Tribuna NH)

 

 

 

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